Por Zé Luiz Soares: Há seis anos um projeto musical vem ocupando espaço importante na cena paulistana. De um grupo de produtores, músicos, intérpretes e - principalmente - compositores, que se reunia semanalmente num casarão da Rua Caiubi, no bairro de Perdizes, surgiu um consistente e contínuo celeiro de promissores talentos, expondo novas e - ótimas - canções. O endereço mudou, o já denominado "Clube Caiubi" se tornou itinerante por um tempo e hoje está com sua bandeira hasteada em Pinheiros, no recém-inaugurado Villaggio Café, onde, às segundas-feiras, a agitação já é normal e esperada em torno desses artistas e suas obras inéditas. Do grupo inicial, alguns autores devem ser destacados, seja pelo seu pioneirismo, seja por seu inegável talento. Avalizados pelo consagrado compositor Zé Rodrix, espécie de "padrinho" do Caiubi, nomes ainda desconhecidos do grande público, como Max Gonzaga, Sonekka, Ricardo Soares , Vlado Lima, Márcio Policastro, Roney Giah. Marcelo Barum, Lis Rodrigues, Alvaro Cueva, Daniel Pessoa, Nando Távora e Fernando Cavallieri, em grupos que se alternam, têm se apresentado nos últimos anos em diversos locais consagrados da cena alternativa, como Sescs, Teatro Crowne Plaza, Supremo Musical, Tuca, Villaggio Café e Sala Funarte, Rio, Minas, Paraná, Ceará - consolidando, ano-a-ano, o projeto. O Caiubi diferencia-se por “manter o palco aberto”. Além dos seus “associados” , incontáveis artistas transitam pelo palco, o que tem atraído o interesse de gente de renome como o consagrado Tavito, presença certa nas noites de segunda.
Todas as segundas a partir das 21 h no Villaggio Café R.Teodoro Sampaio, 1229-Pinheiros WWW.villaggio.com.br Reservas pelo tel. 11-3571-3730 ou villaggiocafe@terra.com.br Couvert Artístico: R$ 5,00
O lugar não poderia ser mais simbólico, na Pedra do Sal, onde Donga, João da Bahiana e outros reuniam-se para cantar os primeiros sambas. É ali que, em agosto de 2007 alguns compositores se juntaram para criar um espaço onde pudessem se reunir para discutir e dividir opiniões sobre os caminhos trilhados pelo samba e para se confraternizarem cantando suas músicas inéditas, que por diversas razões não são divulgadas nas rodas de samba. O encontro foi batizado de Samba na Fonte. Desses encontros foram nascendo novos contatos, novas parcerias e projetos, sempre mantendo o foco na resistência cultural e na conscientização sobre a ética, o respeito e a responsabilidade que cada um tem com o legado dos grandes mestres e com os caminhos pelos quais deve-se conduzir a bandeira do samba.
Esta é a forma que encontramos para fazer a nossa parte. Junte-se a nós. O espaço é aberto aos compositores que quiserem participar do movimento. Nossa roda de samba, só com músicas inéditas, acontece todas as quartas-feiras das 19h às 23h00 no Largo João da Baiana, na Pedra do Sal, Praça Mauá - RJ.
É uma reunião de sambistas, ou seja, compositores, cantores, músicos e simpatizantes do samba que apresentam suas obras diretamente ao público. A principal característica da Comunidade Samba da Vela é reunir dezenas de crianças, jovens, adutos e idosos da periferia da cidade para ouvir samba em silêncio, fato inédito no Brasil. Refletindo, transformando e renovando suas ações, o Samba da Vela democratiza o acesso a cultura e através da música revela novos compositores e promove mudanças individuais e coletivas.
O encontro foi idealizado em 2000 pelos sambistas Jose Alfredo Gonçalves de Miranda, o Paquera, os integrantes do Quinteto Branco e Preto, Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira e José Marilton da Cruz, o Chapinha.Com a necessidade de cantar fundaram um movimento cultural, sem que tivesse a noção do significado e da dimensão de sua representatividade para a nova geração e simpatizantes da nossa cultura popular; O evento tomou corpo, instalando-se na Casa de Cultura de Santo Amaro, onde são promovidas reuniões semanais sempre às segundas feiras.
Uma vela é acesa e os sambas inéditos são cantados até o apagar da chama. Ao final são editados cadernos com as músicas do dia, que são publicados no site do Samba da Vela, promovendo a divulgaçao e o registro dos novos sambas. É importante lembrar que muitos sambas de grandes compositores, criados em rodas de samba, se perderam pela falta da cultura de registro.
Segundas-Feiras - 20h30m
CASA DE CULTURA DE SANTO AMARO Dr. Francisco Ferreira Lopes, n. 434 Santo Amaro - SP.
Pensar em um quintal do Rio de Janeiro, mais precisamente em Madureira. Numa das casas dessa vila, reside Tia Surica, pastora da Portela, membro da Velha Guarda, de voz poderosa. Nesse espaço, comemoram-se aniversários, Ano-novo, Páscoa e, é claro, a apuração dos desfiles de Carnaval, sempre com o manto azul e branco na cabeça, sob o olhar inspirador da águia. É Portela ! São rodas especiais, por onde já passaram nomes sagrados famosos ou não como no almoço neste vídeo, com a Velha Guarda de Portela e Paulinho da Viola. É um território onde vibra a energia do samba e seu vínculo direto com a história do Samba. Tereza Cristina, cantora e compositora da nova geração, que aparece na roda, interpreta com a própria um samba que descreve o Cafofo da Surica.
Este vídeo traduz bem o sentido deste blog. Música é linguagem sem fronteiras. A canção é conduzida por dois músicos de rua e chama a atenção que, ao final, há um aplauso isolado e uma moedinha de alguém da platéia como pagamento, irônica. É o timing da rua. É interessante também a discreta presença de brancos, em prol de índios e negros. Do Brasil, ao lado dos Arcos da Lapa, César Pope no cavaquinho. Musicalmente muito bom.